08 mar

Correspondente Jurídico: como definir a melhor estratégia para seu escritório ou empresa?

Correspondente Jurídico

É muito comum sermos abordados com perguntas e indagações de qual a melhor estratégia para a gestão de correspondente jurídico ou advogado correspondente. 

Advogados que assumem um papel de gestor ou líder de células backoffice de escritórios de advocacia (especialmente os chamados escritórios `middles’) a respeito de qual a melhor estratégia para fazer a gestão de advogados correspondentes.

Antes de mais nada, vamos esclarecer o que o mercado e nós consideramos como escritório middle: são escritórios `médios’, ou seja, escritórios de médio porte, com alguma gestão corporativa implantada, com gestão de processos definidos, com sistema ou software de gestão de acompanhamento de processos (sejam judiciais ou não), que em razão do escopo do trabalho que resolvem, na sua forma ou no seu volume, possuem um financeiro instituído, com políticas básicas de governança corporativa.

Os principais questionamentos surgem desse mercado por uma simples razão: são esses escritórios , que, por não terem gestores, administradores e controladorias instituídas dentro do escritório (diferente da realidade dos grandes escritórios de advocacia que possuem estruturas bem robustas de gestão) sentem a `dor` de ter de implementar processos de gestão sob pena de verem seus resultados, lucros, comprometidos. Na contramão desse cenário absolutamente robusto da advocacia, temos ainda os profissionais liberais e escritórios de advocacia ainda sem nenhuma rotina de gestão implementada, com volume de negócios ainda muito baixos, e por isso ainda não `sentem as dores` da ausência de gestão.

Feito esse esclarecimento que entendemos oportuno a respeito do posicionamento do seu escritório no mercado, vamos à proposta do tema dessas linhas.

Procuramos agrupar as soluções de gestão de correspondentes em 03 grandes grupos.. Três métodos possíveis cuja definição vai depender daquilo que faz mais sentido para o seu escritório, conforme sua estrutura, cultura e área de atuação no mercado (advocacia de volume, estratégica, consumerista, trabalhista, tipicamente contenciosa, e assim por diante). Vamos a eles:

 

1 – GESTÃO DE CORRESPONDENTE `IN HOUSE`

 

Ainda é possível, mesmo com tantas tecnologias e legal services disruptivos, modernos e com propostas muito inovadoras, encontrarmos gestores ou advogados donos de escritórios com grande preocupação em `terceirizar’ parte de suas operações de backoffice (ou gestão de advogados correspondentes).

A gestão `in house’, feita dentro de casa, possui a característica (às vezes ilusória) de total controle sobre os processos judicias com a centralização do processo de contratação. Mas essa sensação de controle ainda é a razão para que muitos escritórios optem em consultar a rede, conseguir indicações na OAB local, contratar o correspondente, acompanhar o cumprimento (e muitas fazes fazer workflow para que o cumprimento de fato aconteça), fazer o provisionamento, o pagamento, e toda a gestão de relacionamento daí advinda.

Se o aspecto `positivo’ dessa escolha é o suposto `controle` da operação, em contrapartida o `tendão de Aquiles` dessa opção é você passar a cuidar de um assunto que está longe de ser pauta-central do `core business` do seu negócio. Isso significa que você vai dedicar tempo, energia, trabalho e dinheiro a um assunto que não compõe a razão de você existir: o Direito e os seus clientes!

 

2 – GESTÃO VIA MARKET PLACE

 

Esse método é híbrido. Está entre o caminho da opção 1 e da opção 3. Nem por isso envolve ou mitiga riscos. A gestão de correspondente jurídico via Market Place, que te propõe uma gestão centralizada em uma única ferramenta ou site web, dando a você uma verdadeira vitrine de profissionais a sua disposição, facilita a gestão do relacionamento prevista na primeira hipótese, sem dúvida. Aliás, esse é o benefício proposto por esse método, centralizar relacionamento e dependente da plataforma que você usa, centralizar também a gestão de pagamento, que passa a ser feita diretamente ao Market Place.

Temos diversos sites nessa área. São os chamados `site de localização de correspondentes`. Mas como toda escolha representa uma renúncia, o `tendão de Aquiles’ desse método está na ausência de responsabilidade das partes envolvidas no processo. Esses sites são muito taxativos que `não se responsabilizam pelo cumprimento de um prazo’ ou `comparecimento à audiência’ pelo advogado correspondente contratado. Nem mesmo nos casos onde eles fazem a gestão de pagamento. Não vamos entrar no mérito jurídico da responsabilidade, porque essa não é a proposta do tema. No entanto, nessa opção, você obtém ganhos do ponto de vista de gestão em relação à primeira alternativa, mas permanece na zona de risco e descoberto das responsabilidades decorrentes dessa atividade.

 

3 –  GESTÃO POR LOGÍSTICA JURÍDICA

 

A terceira opção, para a gestão de correspondente jurídico, como não podia deixar de ser, também contém ganhos e eventualmente perdas (se o processo de escolha da empresa para estabelecer a parceria não for bem conduzido). A gestão por logística jurídica é realizada por empresas especializadas nessa logística, as quais, se presume, conhecerem mais a fundo todo o processo de gestão de relacionamento, treinamento, softwares, técnicas de negociação e estruturas totalmente voltada para esse core business.

Nessa hipótese você nomeia um parceiro de trabalho (não há outra forma, a nosso ver, de conduzir essa negociação senão via parceria de trabalho mesmo!). Neste sentido, a empresa de logística precisa ser extensão do seu escritório. Precisa conhecer suas dores, seus líderes, para então definir os processos mais adequados para essa terceirização.

Nesse cenário você delega gestão de relacionamento, gestão financeira, pagamentos e responsabilidade. Sim, nesse método, se sua empresa de logística estiver bem posicionada, ela deve ter seguro de responsabilidade civil para fazer frente às responsabilidades decorrentes dessa operação.

Quando você opta por escolher a logística jurídica como método de gestão de correspondentes, você compartilha os riscos desse projeto, e passa a ser apenas o gestor de análise de relatórios e indicadores. Em regra, essas empresas apresentam relatórios e possuem sistemas que lhe permitem gerar outros relatórios diversos para que você acompanhe a gestão do assunto. Aqui é preciso ter um perfil mais inovador, descentralizador de liderança, porque tirará de dentro da `sua casa’ a gestão dessa frente (e é conveniente que se extinga a equipe de backoffice ou de assistentes internos, para que você transforme os custos fixos dessa operação em custos variáveis (sobre isso ler nosso eBook).

 

Após avaliar esses métodos possíveis e saber onde você está alocado, esperamos que essas reflexões de prós e contras te ajude a escolher qual o melhor caminho para você e, consequentemente, para seu escritório. É necessário que se afirme: não existe receita de bolo; quando falamos em gestão, falamos de escolhas e renúncias. Não há processo 100% eficaz, simplesmente porque não existem processos conduzidos por humanos 100% eficazes. Talvez às novas tecnologias venha mudar esse cenário dentro de um futuro próximo, uma vez que as ferramentas tecnológicas estão mitigando muitos riscos. Mas isso é assunto para outro artigo.

Sucesso!

Celina Salomão
Empresária Consultora e Mentora. Profissional da gestão. 

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