27 fev

O conhecimento como arma para os novos tempos

Sobre a urgência de incluirmos debates sobre inovação e tecnologia no universo acadêmico do Direito

Em meus artigos, posts, participações em eventos e durante os últimos anos de minha vida profissional, venho sempre ressaltando o quanto dois aspectos são fundamentais para o fortalecimento do ambiente de negócios jurídico brasileiro.

mos debates sobre inovação e tecnologia no universo acadêmico do Direito

 

O primeiro deles diz respeito a uma mudança cultural em escritórios, consultorias e empresas do país. Precisamos, mais do que nunca, deixar de lado uma mentalidade conservadora e avessa a inovação, para abraçar movimentos de transformação digital capazes de contribuir com a melhoria de processos, agilidade no andamento de rotinas jurídicas e maior eficiência na entrega de análises e resultados.

Dentro deste espectro, incluo desde uma maior utilização de soluções desenvolvidas a partir das tendências da Inteligência Artificial, digitalização e automação de processos recorrentes, até um melhor aproveitamento de ferramentas de Data Science capazes de destrinchar grandes volumes de dados e otimizar, por exemplo, a gestão de contenciosos.

O segundo aspecto a que me refiro se refere a valorização dos profissionais envolvidos na cadeia de negócios jurídicos. Somente com a qualificação e o reconhecimento da importância de advogados, gestores e empreendedores que atuam no universo do Direito, poderemos enfrentar de modo eficiente os desafios do mercado de trabalho do futuro.

Ademais, é com a união entre tecnologia e profissionais qualificados – e não com a resistência aos movimentos de inovação – que conseguiremos melhorar a dinâmica operacional, entregar melhores serviços para nossos clientes e oferecer a população brasileira um setor jurídico mais ágil e competente.

Todavia, para que estes dois aspectos (valorização profissional e mudança de mentalidade ancorada na transformação digital), de fato, prosperem em nosso segmento, a iniciativa privada não pode atuar sozinha. Enquanto agentes de mudança cultural, nós, empreendedores temos um papel decisivo neste cenário, mas, de modo algum, isolado.

Pensando nisso, gostaria de destacar o papel das universidades de Direito na inserção de temas relacionados a tecnologia e inovação em seus programas acadêmicos, uma vez que, sem o devido preparo educacional, o Brasil falhará tanto na entrega de inovações disruptivas que poderiam favorecer nosso setor, quanto no desenvolvimento de profissionais prontos para lidar com os desafios que, inevitavelmente, o mercado do futuro trarão para o nosso setor direta ou indiretamente.

E isso porque, mesmo que, façamos a escolha errada e atrasemos nosso desenvolvimento educacional do ponto de vista tecnológico, ainda assim, as transformações digitais não vão deixar de ocorrer na economia e no universo de muitos dos nossos clientes. Basta pensar, por exemplo que, no âmbito da Inteligência Artificial, consultorias como a Gartner já apontam um crescimento em até 5 vezes no volume de recursos destinados pelas empresas para este campo apenas nos próximos cinco anos.

Além disso, preparar jovens profissionais significa também preparar aqueles que irão legislar sobre um mundo imerso em inovação tecnológica e que não pode ser regulado da mesma forma que regularíamos sistemas econômicos que não contavam com questões como a economia compartilhada ou sociedades em rede.

Ademais, quando pensamos no Estado Brasileiro que, só em 2016, finalizou o ano com 79,7 milhões de processos em tramitação, vemos o quanto o potencial da inovação pode nos auxiliar a trabalhar com uma cultura contenciosa que urge por mudanças e, consequentemente, o quanto a formação de profissionais aptos para conduzir essas transformações é, também, uma responsabilidade das universidades brasileiras.

Por fim, outros especialistas já vêm nos atentando para a importância da inclusão de debates sobre as mudanças tecnológicas que fazem parte do mercado no âmbito das universidades. Faço coro aos colegas. Sem a difusão do conhecimento, ao invés de compartilharmos inovação, compartilharemos o atraso.

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