23 fev

A Responsabilidade Social em tempos de Transformação Disruptiva

Se, por um prisma, os movimentos de transformação global no mercado trazem consigo grandes expectativas, é quase inevitável que eles carreguem também boas doses de angústia. No momento atual da economia, cada vez mais disruptiva e aberta a inovação, as grandes questões que pairam – para além dos comprovados benefícios desenvolvidos graças a tecnologia na vida das pessoas e no cotidiano das empresas -, dizem respeito, sobretudo, ao futuro da mão de obra no mundo.

Quais as expectativas de trabalho para as novas gerações? Que processos de adaptação terão de ser realizados por aqueles que já estão no mercado? Devo temer sobre o futuro de minha profissão? Onde e que atualizações devo procurar? Estas são algumas das perguntas que lemos e ouvimos com frequência em noticiários, veículos especializados e encontros com outros gestores no cotidiano de nossas profissões.

Refletindo com outros colegas sobre este universo de transformação digital, foi possível desenvolver algumas perspectivas interessantes que podem nos dar algumas pistas sobre o futuro do mercado de trabalho de modo geral.

A base de tal reflexão consiste na seguinte tese: sim, cenários que envolvem mudanças disruptivas em larga escala envolvem períodos de adaptação, tanto por parte dos trabalhadores, quanto por parte das empresas. Neste cenário, podem ganhar destaque dois tipos de administrador:

O empresário investidor, preocupado em investir em produtos e tecnologias com rápido retorno no mercado;

O empresário empreendedor, que, sem abrir do lucro e do crescimento de seu negócio, tem paixão por empreender, por gerar conhecimento e criar valor para o seu negócio e que pode fazer uso da tecnologia para reduzir custos que, por sua vez, poderão ser transferidos para o investimento na formação de colaboradores mais apto a lidar com o cenário de inovação.

Embora todos os atores do mercado tenham a sua importância – o investidor possibilita, por exemplo, o desenvolvimento de novos produtos e tecnologia, quando abraça os riscos envolvidos neste processo –, penso que será do empresário empreendedor, o grande papel de agente da mudança no mercado de trabalho.

E isso porque não podemos contar apenas com iniciativas públicas para o direcionamento da mão de obra do futuro. A iniciativa privada, com responsabilidade social e senso da importância da inserção da população no mercado para o crescimento da economia, pode e terá mais condições de contribuir para o crescimento de seus colaboradores.

Afinal de contas, se com pouca margem para investimento e tendo que enfrentar as dificuldades de um cenário econômico e político instável, muitos empreendedores já disponibilizam recursos para o crescimento dos colaboradores, imagine em um ambiente com custos mais reduzidos graças a automatização de processos, aumento da produtividade motivada pela inovação?

Graças a esse universo disruptivo, aliás, já temos alguns indícios que se mostram positivos no que se refere a criação de novos postos de trabalho. O professor de cultura digital, tendências e futuro inteligente da ESPM, Gil Giardelli, por exemplo, explicou em matéria para o Jornal O Tempo que, para cada emprego que será impactado com a transformação digital, outros três novos serão criados em virtude da “explosão da inovação”.

O que se espera é que o poder público também faça a sua parte neste cenário futurístico, destravando barreiras para o crescimento e fortalecimento do ambiente empreendedor.

Por fim, embora estejamos falando de possibilidades, nós podemos ser protagonistas deste movimento de transformação, utilizando, sim, a tecnologia para reduzir custos e otimizar operações, mas sem esquecer de nossa responsabilidade social. Como agentes de mudança, é nosso papel trazer conosco aqueles que hoje colaboram para o nosso crescimento.

 

Celina Salomão

Empresária Consultora e Mentora. Profissional da gestão.
Propósito de vida alinhado à sustentabilidade dos negócios.

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