03 nov

Entrevista: As características de um bom líder no mercado jurídico

Quais são os detalhes que fazem a diferença na hora de liderar equipes? Profissional da área de Finanças e de Organização e Processos com mais de 15 anos de experiência, o controller da LOGJUR Sandro Moretti comenta o perfil do bom líder jurídico.

Moretti é graduado em Administração de Empresas e em Gestão Financeira, com MBA em Controladoria e em Gestão de Empresarial. Desde 2005 desenvolve serviços de consultoria relacionados à estruturação financeira e de gestão para empresas nas mais diferentes áreas.

De maneira geral, qual é o perfil do bom líder?

Há várias definições de um bom líder e que podem mudar de profissional para profissional. No meu entendimento, o bom líder é aquele que primeiramente consegue transmitir ao colaborador com clareza a missão e visão da empresa.

Um bom líder precisa saber repassar de maneira coesa os objetivos da empresa, e traçar estratégias para atingir os objetivos, respeitando as diversas características dos profissionais que compõe a equipe. Sou adepto da liderança participativa e ofereço a oportunidade de meus subordinados compartilharem suas ideias. A decisão final, por mais que seja tomada por mim, sempre surge com motivos que justificam aquela escolha. O bom líder tem por obrigação gerar condições para que a equipe realize seu trabalho no prazo e com a qualidade esperada. É um bom ouvinte e expressa as suas ideias e necessidades da empresa com respeito.

Quais os custos de um mau líder na empresa?

Os custos podem ser os mais variados possíveis! Um mau líder pode gerar um clima desfavorável tanto no ambiente, quanto para a realização das tarefas diárias. Muitas vezes, mesmo com bons salários e benefícios oferecidos pela empresa, o colaborador subordinado a um mau líder prefere se aventurar no mercado de trabalho em busca de um clima melhor, de mais respeito. Automaticamente, isso gera custo. Se o turnover é elevado, o custo operacional também será.

A cada nova contratação será necessário o novo colaborador passar pela integração e a realização de treinamentos. Poderá também ocorrer o custo na esfera judicial, mais precisamente relacionado ao assédio moral, e infelizmente este tipo de reclamação é recorrente. Para minimizar estes impactos negativos, é de bom tom que o líder periodicamente faça cursos de reciclagem.

Qual a importância de um pensamento inovador nas lideranças?

Fazer com que o profissional execute as mesmas atividades de forma diferente, gerando redução do custo operacional, aumento da produtividade e de qualidade. O pensamento inovador muitas vezes pode se confundir com o pensamento empreendedor, pois pessoas que inovam invariavelmente são empreendedoras. Sempre buscam o melhor para si e para as organizações onde atuam. Muitas vezes, além do conhecimento empírico, precisamos colocar o nosso coração e alma no que fazemos, e isso tem haver com a necessidade e/ou vontade de criar algo novo. Inovar nada mais é de que fazer algo melhor em todos os sentidos. A inovação é algo que impulsiona o ser humano. O que seria do conhecimento se não houvesse a inovação?

A inovação é tudo aquilo que aplicamos com os novos conhecimentos adquiridos, seja através dos cursos de aperfeiçoamento ou vivência.

Pensando mais especificamente no mercado jurídico, quais competências esse líder deve ter?

Em tese o comportamento do líder é algo intrínseco, mas mesmo assim é importante deter algum conhecimento jurídico a fim de minimizar as reclamações de ordem trabalhista e de assédio. Com este conhecimento, mesmo básico, esse profissional terá condições de acertar o rumo, quando necessário, evitando desta forma ou pelo menos minimizando as reclamações de ordem trabalhista e assédios diversos.

E quais as competências comportamentais?

Entendo que há, pelo menos, dez competências comportamentais que são essenciais não somente no bom líder, mas em todos aqueles que almejam se destacar no cenário corporativo, que são:

Liderança: capacidade de liderar pessoas e equipes;

Automotivação: manter-se motivado mesmo nas adversidades;

Trabalho em equipe: flexibilidade de lidar com diferentes perfis e realizar trabalhos em conjunto;

Criatividade: capacidade de inovação, driblar as dificuldades e criar oportunidades;

Comunicação efetiva: expressar-se com clareza;

Capacidade de negociação: realizar a gestão de conflitos, mantendo o bom clima organizacional. Esta capacidade também precisa se estender ao clima externo, com fornecedores, bancos e clientes.

Adaptabilidade: estar aberto a novos métodos de trabalho e acompanhar bem as mudanças, com a finalidade de manter os resultados esperados independentemente das mudanças.

Busca por conhecimento: fugir da estagnação, sair da zona de conformo buscando sempre o desenvolvimento com a realização de cursos, leituras de matérias e livros.

Relacionamento interpessoal: relacionar de forma a gerar empatia entre os colegas e lideres, possibilita minimizar os conflitos, ganhar seguidores e influência para a colaboração em seus projetos.

Bom humor: pessoas infelizes são menos produtivas. É importante ter equilíbrio emocional. Isso torna a convivência mais harmônica, afinal, quem gosta de trabalhar ao lado de pessoas mal-humoradas e que só reclamam?

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